quarta-feira, 25 de novembro de 2009
LEMBRETE
QUERIDOS SEGUIDORES QUE ME DERAM O PRIVILÉGIO DE LER DURANTE A XIII FEIRA PAN-AMAZÔNICA DO LIVRO, A PARTIR DE AGORA ESTOU ESCREVENDO SEMANALMENTE (E IRREGULARMENTE)NO BLOG igaradapalavra.blogspot.com
domingo, 15 de novembro de 2009
BLOG DA FEIRA ENCERRA ATIVIDADES
Estou escrevendo este texto já com saudades.
Saudades dos amigos que fiz.
Das pessoas que conheci.
Das tantas que revi.
A feira passou rápido.
Foi um prazer, desde o dia 7/11/2009, conversar com personalidades como EMIR SADER, FREI BETTO, CRISTOVÃO TEZZA, ZUENIR VENTURA, ZECA CAMARGO, MOACYR SCLIAR, LAURENTINO GOMES e ARIANO SUASSUNA.
Todos foram UNÂNIMES em elogiar a XIII FEIRA PAN-AMAZÔNICA DO LIVRO como uma das melhores e maiores do país.
A gente que com trabalha com a CULTURA nesse país sente orgulho em ouvir esses elogios.
O público do ENCONTRO LITERÁRIO foi ÓTIMO.
O paraense provou que gosta de ler. Basta dar a ele oportunidade e propiciar ocasiões raras como a da feira de livros.
ATÉ 2010!
P.S: AOS SEGUIDORES DO BLOG - CONTINUAREI NA TRINCHEIRA CULTURAL COM O "IGARA DA PALAVRA", CERTO?
Saudades dos amigos que fiz.
Das pessoas que conheci.
Das tantas que revi.
A feira passou rápido.
Foi um prazer, desde o dia 7/11/2009, conversar com personalidades como EMIR SADER, FREI BETTO, CRISTOVÃO TEZZA, ZUENIR VENTURA, ZECA CAMARGO, MOACYR SCLIAR, LAURENTINO GOMES e ARIANO SUASSUNA.
Todos foram UNÂNIMES em elogiar a XIII FEIRA PAN-AMAZÔNICA DO LIVRO como uma das melhores e maiores do país.
A gente que com trabalha com a CULTURA nesse país sente orgulho em ouvir esses elogios.
O público do ENCONTRO LITERÁRIO foi ÓTIMO.
O paraense provou que gosta de ler. Basta dar a ele oportunidade e propiciar ocasiões raras como a da feira de livros.
ATÉ 2010!
P.S: AOS SEGUIDORES DO BLOG - CONTINUAREI NA TRINCHEIRA CULTURAL COM O "IGARA DA PALAVRA", CERTO?
PALESTRA-SHOW DE SUASSUNA ENCERRA “ENCONTRO LITERÁRIO”
A XIII Feira Pan-Amazônica do Livro não poderia terminar de forma melhor: com um show de inteligência, bom-humor e franqueza de um grande dramaturgo brasileiro – Ariano Suassuna.
“Costumo dividir as pessoas em dois grupos: os que gostam de mim e os equivocados”, disse logo no início de seu bate-papo o autor de “O auto da compadecida” arrancando risos e aplausos do público presente ao auditório Machado de Assis (750 lugares). Acompanhado do cantor, violeiro e repentista Oliveira de Panelas, Suassuna foi assim o tempo todo: contando causos, fazia o público rir e depois dava uma aula de poesia nordestina com suas características próprias, tendo Oliveira como sua cobaia.
Antes de entrar no auditório, ainda no corredor, me chamou a um canto: “É você que vai me apresentar, não é? Olhe, quando anunciar meu nome, por favor, não peça que me aplaudam, sim? Se o povo aplaudir, que seja por ele mesmo, certo?”. Adivinhem: assim que anunciei o nome de Suassuna a platéia irrompeu em aplausos. Não foi diferente no final, quando, cansado fisicamente, mas extremamente gentil, posou para muitas fotos. Ariano Suassuna pode ter certeza que, no Pará, não há “equivocados” – esta terra o ama e muito.
“Costumo dividir as pessoas em dois grupos: os que gostam de mim e os equivocados”, disse logo no início de seu bate-papo o autor de “O auto da compadecida” arrancando risos e aplausos do público presente ao auditório Machado de Assis (750 lugares). Acompanhado do cantor, violeiro e repentista Oliveira de Panelas, Suassuna foi assim o tempo todo: contando causos, fazia o público rir e depois dava uma aula de poesia nordestina com suas características próprias, tendo Oliveira como sua cobaia.
Antes de entrar no auditório, ainda no corredor, me chamou a um canto: “É você que vai me apresentar, não é? Olhe, quando anunciar meu nome, por favor, não peça que me aplaudam, sim? Se o povo aplaudir, que seja por ele mesmo, certo?”. Adivinhem: assim que anunciei o nome de Suassuna a platéia irrompeu em aplausos. Não foi diferente no final, quando, cansado fisicamente, mas extremamente gentil, posou para muitas fotos. Ariano Suassuna pode ter certeza que, no Pará, não há “equivocados” – esta terra o ama e muito.
LAURENTINO GOMES DÁ AULA DE HISTÓRIA DO BRASIL NO “ENCONTRO LITERÁRIO”
Em estilo bem-humorado, com apresentação de imagens e histórias sobre a História do Brasil, o escritor e jornalista Laurentino Gomes encantou o público presente no auditório Inglês de Sousa no sábado, 14 de novembro de 2009.
Autor de “1808”, best-seller que já chegou a faixa de venda de três milhões de exemplares, Gomes deu aula de bom-humor, também, ao falar dos bastidores da vinda da Família Real Portuguesa para o Brasil, objeto de seu livro. “Foi ali que a construção do nosso país verdadeiramente começou”, disse ele.
Sobre a chegada da corte portuguesa no Rio de Janeiro, o jornalista contou a história da expropriação de residências cariocas para abrigar os doze mil hóspedes. As autoridades nacionais, invocando lei de aposentadoria (ou seja, do uso de aposentos), mandava afixar nas portas das casas que iam ser destinadas aos nobres lusos as siglas P.R (Príncipe Regente). Os cariocas, já com seu espírito libertário bem aceso traduziram as letras como “Ponha-se na rua”.
Ao final do encontro o escritor autografou livros para uma platéia formada por professores, estudantes e outros interessados.
DOIS ROMANCISTAS DÃO LIÇÕES DE BOM TEXTO NO “ENCONTRO LITERÁRIO”
Um é catarinense que fixou raízes em Curitiba (PR), o outro gaúcho que mora em Porto Alegre. Os dois são os mais premiados romancistas do Brasil no momento. Um na terça-feira, 10, e outro na sexta-feira, 13, Cristóvão Tezza e Moacyr Scliar mostraram porque merecem cada linha de elogios e admiração do público pelo que escrevem.
Na terça-feira, Cristóvão Tezza, autor do multipremiado “O filho eterno” (Record, 2008), compartilhou sua trajetória com o público desde seu primeiro romance “O cachorro que morreu de câncer”, recusado pelo editor Caio Graco, da Brasiliense, que, entretanto deu como conselho ao jovem autor, na época, de tentar ser mais pessoal no texto do livro, aludindo para isso a ingestão de umas “biritas”. Depois, contou Tezza, vieram muitas recusas e romances escritos até o sucesso e as premiações, justamente com um livro que, confessou o escritor, ele nunca achou que ia escrever, até porque o tema para ele era tabu – Tezza tem um filho, Felipe, com Síndrome de Down, assim como a personagem central de seu livro premiadíssimo.
LIÇÕES
Na sexta-feira, Scliar fascinou o público do auditório Inglês de Sousa com sua prosa versátil, o sotaque gaúcho e suas histórias que vão buscar nos textos bíblicos as motivações para uma obra extremamente criativa, seja nos contos, nas crônicas ou ainda nos romances.
Abaixo trechos da fala do escritor.
XIII FEIRA
“Eu não hesitaria em dizer que a XIII Feira Pan-Amazônica do Livro é uma das melhores do país, aliás, também é uma das maiores e com instalações muito confortáveis”.
BELÉM
“Eu digo que esta cidade (Belém) é uma das cidades brasileiras que mais congrega beleza e história. Gosto muito dessa cidade, sempre hospitaleira”.
LEITURA
“Quando eu era pequeno gostava muito de ler, mas me preocupava em gastar dinheiro com livros, pois meus pais eram pobres e em casa faltava até comida. Mas, minha mãe sempre me dizia: compre quantos livros você quiser, eles são importantes!”
CRÔNICA
“O objetivo da crônica não é dar informação. A crônica é um comentário, em geral leve, bem-humorado. O brasileiro tem um estilo de vida que é adequado à crônica. Ela é um gênero por excelência do Brasil. A crônica é uma transcrição da conversa de mesa de bar”.
ESTILO
“Escrever é reescrever”.
Na terça-feira, Cristóvão Tezza, autor do multipremiado “O filho eterno” (Record, 2008), compartilhou sua trajetória com o público desde seu primeiro romance “O cachorro que morreu de câncer”, recusado pelo editor Caio Graco, da Brasiliense, que, entretanto deu como conselho ao jovem autor, na época, de tentar ser mais pessoal no texto do livro, aludindo para isso a ingestão de umas “biritas”. Depois, contou Tezza, vieram muitas recusas e romances escritos até o sucesso e as premiações, justamente com um livro que, confessou o escritor, ele nunca achou que ia escrever, até porque o tema para ele era tabu – Tezza tem um filho, Felipe, com Síndrome de Down, assim como a personagem central de seu livro premiadíssimo.
LIÇÕES
Na sexta-feira, Scliar fascinou o público do auditório Inglês de Sousa com sua prosa versátil, o sotaque gaúcho e suas histórias que vão buscar nos textos bíblicos as motivações para uma obra extremamente criativa, seja nos contos, nas crônicas ou ainda nos romances.
Abaixo trechos da fala do escritor.
XIII FEIRA
“Eu não hesitaria em dizer que a XIII Feira Pan-Amazônica do Livro é uma das melhores do país, aliás, também é uma das maiores e com instalações muito confortáveis”.
BELÉM
“Eu digo que esta cidade (Belém) é uma das cidades brasileiras que mais congrega beleza e história. Gosto muito dessa cidade, sempre hospitaleira”.
LEITURA
“Quando eu era pequeno gostava muito de ler, mas me preocupava em gastar dinheiro com livros, pois meus pais eram pobres e em casa faltava até comida. Mas, minha mãe sempre me dizia: compre quantos livros você quiser, eles são importantes!”
CRÔNICA
“O objetivo da crônica não é dar informação. A crônica é um comentário, em geral leve, bem-humorado. O brasileiro tem um estilo de vida que é adequado à crônica. Ela é um gênero por excelência do Brasil. A crônica é uma transcrição da conversa de mesa de bar”.
ESTILO
“Escrever é reescrever”.
sexta-feira, 13 de novembro de 2009
ZECA CAMARGO FAZ QUINTA SER “ZECA-FEIRA” NO HANGAR
Quinta-feira, 12 de novembro de 2009, foi o dia ZECA-FEIRA na XIII FEIRA PAN-AMAZÔNICA DO LIVRO.
Com a presença de mais de mil pessoas no auditório MACHADO DE ASSIS, o jornalista e apresentador do “FANTÁSTICO” (Rede Globo) ZECA CAMARGO distribuiu – além da extensa sessão de autógrafos, que se prolongou até as 23 horas – muita simpatia, sendo fotografado, tietado e acarinhado pelos leitores paraenses.
Na platéia - em que se aglomeravam crianças, senhoras e senhores e idosos -, muitos estudantes de Comunicação Social, especialmente de JORNALISMO, endereçaram perguntas sobre a profissão de jornalista e as viagens feitas por ZECA CAMARGO, reunidas no livro A FANTÁSTICA VOLTA AO MUNDO.
Durante mais de sessenta minutos, ZECA CAMARGO respondeu às minhas perguntas e de boa parte da platéia. No final, ainda presenteou - com o livro NOVOS OLHARES – a dez pessoas que fizeram perguntas a ele.
Para o jornalista WELLINGTON MONTEIRO, a entrevista foi "show, muito produtiva". Ele acrescenta: "Pra mim, tirei muita coisa que achava que sabia, tipo um trecho que ele disse " editar e escolher", quanto ao trabalho jornalístico de finalização; isso está gravado aqui na mémoria".
Se ZECA CAMARGO saiu com uma ótima impressão da platéia paraense, a recíproca é verdadeira: segundo levantamento da livraria que estava comercializando os livros do jornalista, ontem foram vendidos pelo menos 300 livros dos quatro títulos que ele já publicou.
Com a presença de mais de mil pessoas no auditório MACHADO DE ASSIS, o jornalista e apresentador do “FANTÁSTICO” (Rede Globo) ZECA CAMARGO distribuiu – além da extensa sessão de autógrafos, que se prolongou até as 23 horas – muita simpatia, sendo fotografado, tietado e acarinhado pelos leitores paraenses.
Na platéia - em que se aglomeravam crianças, senhoras e senhores e idosos -, muitos estudantes de Comunicação Social, especialmente de JORNALISMO, endereçaram perguntas sobre a profissão de jornalista e as viagens feitas por ZECA CAMARGO, reunidas no livro A FANTÁSTICA VOLTA AO MUNDO.
Durante mais de sessenta minutos, ZECA CAMARGO respondeu às minhas perguntas e de boa parte da platéia. No final, ainda presenteou - com o livro NOVOS OLHARES – a dez pessoas que fizeram perguntas a ele.
Para o jornalista WELLINGTON MONTEIRO, a entrevista foi "show, muito produtiva". Ele acrescenta: "Pra mim, tirei muita coisa que achava que sabia, tipo um trecho que ele disse " editar e escolher", quanto ao trabalho jornalístico de finalização; isso está gravado aqui na mémoria".
Se ZECA CAMARGO saiu com uma ótima impressão da platéia paraense, a recíproca é verdadeira: segundo levantamento da livraria que estava comercializando os livros do jornalista, ontem foram vendidos pelo menos 300 livros dos quatro títulos que ele já publicou.
quinta-feira, 12 de novembro de 2009
ZUENIR VENTURA FALA DO RIO, DA RUA E DE SEUS LIVROS NO ENCONTRO LITERÁRIO
Zuenir Ventura fez uma confissão logo no começo do ENCONTRO LITERÁRIO realizado ontem no auditório INGLÊS DE SOUSA, que esteve lotado: “Acho que esta é quinta ou a sexta vez que venho a Belém e sempre acho a cidade bonita, hospitaleira, charmosa. Depois do Rio de Janeiro, Belém é a segunda cidade que eu escolheria para viver”.
Simpaticíssimo, Zuenir Ventura não deixou de atender ninguém, após o descontraído bate-papo que mediei, autografando para uma longa fila de admiradores seus livros e atendendo a diversos estudantes de Comunicação Social que foram conferir as lições de Jornalismo com o experiente mestre.
Abaixo os principais trechos do ENCONTRO LITERÁRIO de quarta-feira, 11/11/2009.
RIO 2016
(após ser perguntado sobre o livro dele CIDADE PARTIDA e a escolha do Rio para sediar a Olimpíada de 2016)
“O Rio nasceu para ser uma cidade unida. Mas é preciso que isso aconteça logo. Tem uma coisa: o carioca é melhor do que o Rio. Ele é que faz a cidade ser maravilhosa.
A gente tem que invadir as favelas com cidadania.
Eu estou muito esperançoso com a Olimpíada, não tanto pela competição, mas pelo que ela pode trazer de transformação social para o Rio de Janeiro.”
GERAÇÃO DE 1968
“Nem tudo foram sonhos e maravilhas naquela geração. Houve também muita esterilidade. Claro, há pessoas na política, como o (Fernando) Gabeira, por exemplo, que procura manter sua identidade com o mesmo discurso daquela época. Não sei como seria se ele fosse eleito prefeito do Rio. Temo que não fosse um prefeito competente. Eu escrevi uma vez que a melhor coisa pro Gabeira foi ele ter perdido aquela eleição. Eu imaginava o Gabeira, que tem uma rotina de acordar às seis para nadar e, aí, lá pelas duas da manhã ser acordado com a notícia de um incêndio, um pepino desses, essas coisas do poder.
De qualquer maneira, nós tivemos dois presidentes herdeiros daquela geração e que foram bons (FHC e Lula). O país melhorou, apesar de tudo. Acho que a gente tem ainda uma grande diferença social no país, mas já tivemos avanços. Eu como sou muito otimista – no meu mapa genético está escrito que eu seria careca e otimista - , apesar de todas essas restrições que eu faço ao que acontece no país, restrições que eu tive quanto ao FHC e que tenho quanto ao Lula – sobretudo do ponto de vista ético -, eu acho que a melhor herança da Geração de 68 é a ética.”
CESINHA
(perguntado sobre o depoimento do estudante César Benjamim, o Cesinha, e se sabia de alguém que havia melhorado com a política)
“Ele talvez seja o meu personagem preferido do livro (1968, o que fizemos de nós). Ele foi preso durante a ditadura, torturado, etc., não enlouqueceu e permanece com uma coerência que é fantástica. Agora ele não faz política partidária hoje, porque fazer política é fazer concessões. Alguns dizem que ele é tão radical que não poderia fazer política partidária. Então, eu não sei. Eu não gosto da política partidária. Eu concordo com o que você disse que não se avença sem política partidária, essa é uma frase fundamental, mas eu não sou contra e nem a favor de voto útil, não me envolvo nessas coisas. Há muita coisa feita na política, sob a capa de um pragmatismo, que abre margens para desvios, falcatruas, sacanagens, que eu não concordo. Coisas que eu não faria, apertar a mão de um crápula, um cretino, um calhorda que foi assim comigo a vida toda e, então, por razões políticas, ter que fazer isso, eu não faria. E olha que eu não sou intolerante. Mesmo assim, isso não, isso eu não faria.Collor, não, né? É preciso ter um estômago muito grande.”
Simpaticíssimo, Zuenir Ventura não deixou de atender ninguém, após o descontraído bate-papo que mediei, autografando para uma longa fila de admiradores seus livros e atendendo a diversos estudantes de Comunicação Social que foram conferir as lições de Jornalismo com o experiente mestre.
Abaixo os principais trechos do ENCONTRO LITERÁRIO de quarta-feira, 11/11/2009.
RIO 2016
(após ser perguntado sobre o livro dele CIDADE PARTIDA e a escolha do Rio para sediar a Olimpíada de 2016)
“O Rio nasceu para ser uma cidade unida. Mas é preciso que isso aconteça logo. Tem uma coisa: o carioca é melhor do que o Rio. Ele é que faz a cidade ser maravilhosa.
A gente tem que invadir as favelas com cidadania.
Eu estou muito esperançoso com a Olimpíada, não tanto pela competição, mas pelo que ela pode trazer de transformação social para o Rio de Janeiro.”
GERAÇÃO DE 1968
“Nem tudo foram sonhos e maravilhas naquela geração. Houve também muita esterilidade. Claro, há pessoas na política, como o (Fernando) Gabeira, por exemplo, que procura manter sua identidade com o mesmo discurso daquela época. Não sei como seria se ele fosse eleito prefeito do Rio. Temo que não fosse um prefeito competente. Eu escrevi uma vez que a melhor coisa pro Gabeira foi ele ter perdido aquela eleição. Eu imaginava o Gabeira, que tem uma rotina de acordar às seis para nadar e, aí, lá pelas duas da manhã ser acordado com a notícia de um incêndio, um pepino desses, essas coisas do poder.
De qualquer maneira, nós tivemos dois presidentes herdeiros daquela geração e que foram bons (FHC e Lula). O país melhorou, apesar de tudo. Acho que a gente tem ainda uma grande diferença social no país, mas já tivemos avanços. Eu como sou muito otimista – no meu mapa genético está escrito que eu seria careca e otimista - , apesar de todas essas restrições que eu faço ao que acontece no país, restrições que eu tive quanto ao FHC e que tenho quanto ao Lula – sobretudo do ponto de vista ético -, eu acho que a melhor herança da Geração de 68 é a ética.”
CESINHA
(perguntado sobre o depoimento do estudante César Benjamim, o Cesinha, e se sabia de alguém que havia melhorado com a política)
“Ele talvez seja o meu personagem preferido do livro (1968, o que fizemos de nós). Ele foi preso durante a ditadura, torturado, etc., não enlouqueceu e permanece com uma coerência que é fantástica. Agora ele não faz política partidária hoje, porque fazer política é fazer concessões. Alguns dizem que ele é tão radical que não poderia fazer política partidária. Então, eu não sei. Eu não gosto da política partidária. Eu concordo com o que você disse que não se avença sem política partidária, essa é uma frase fundamental, mas eu não sou contra e nem a favor de voto útil, não me envolvo nessas coisas. Há muita coisa feita na política, sob a capa de um pragmatismo, que abre margens para desvios, falcatruas, sacanagens, que eu não concordo. Coisas que eu não faria, apertar a mão de um crápula, um cretino, um calhorda que foi assim comigo a vida toda e, então, por razões políticas, ter que fazer isso, eu não faria. E olha que eu não sou intolerante. Mesmo assim, isso não, isso eu não faria.Collor, não, né? É preciso ter um estômago muito grande.”
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